sábado, 22 de novembro de 2008

Diniz Almeida

Nascido a 22 de Fevereiro de 1987, Diniz cresceu nos arredores de Lisboa, com a sua mãe. Filho de pai incógnito, morador de um dos bairros mais problemáticos da capital, depressa Diniz desenvolve um imenso ódio à casa que o viu nascer. Após ter sido declarada prisão perpétua à sua mãe por dois homicídios num espaço de três anos, Diniz, movido pela ira e vergonha, muda-se para Coimbra, cidade que para o jovem sempre guardou uma magia especial por ser conhecida como cidade dos estudantes e, consequentemente, para ele, ser o sinónimo de conhecimento. Durante os 5 anos que viveu em Coimbra, Diniz procurou ao máximo chegar ao conhecimento, através dos caminhos não convencionais. Não acreditava no ensino institucionalizado, do qual fugiu até ao fim dos seus dias. Sozinho, estudou Alemão, Inglês, Francês, Italiano e Mandarim, escreveu vários livros que nunca chegaram a ser publicados, essencialmente criticando a obra de Sócrates e Aristóteles. Chegou, ele próprio a algumas teses filosóficas interessantes, que atribuiam ao homem um complexo que não lhe permite tomar consciência plena da sua mortalidade para evitar a ruptura psicológica. Diniz escreveu cinco romances, todos eles bem ao estilo romeu e julieta, de amores trágicos e absolutamente impossíveis, não por questões mundanas mas metafísicas. Durante sete meses namorou Ana Francisca, que conheceu em Lisboa, numa das visitas à cidade, na estação de comboios e que vivia também em coimbra.
Era, segundo a namorada, um pintor fascinante e achava a Pintura a forma mais pura de Arte, daí nunca revelou a sua obra ao mundo.
Experimentou ainda o Teatro, aos 21 anos, na peça "Rés-do-Peito, perto do peito, perto do coração", sendo as suas falas da sua autoria. Diniz acabou por se suicidar no dia 30 de Maio de 2008, na estreia dessa mesma peça, deixando um bilhete à namorada com a seguinte nota:

"Desculpa-me por nunca me teres amado."

Aparentemente, Diniz achava-se indigno de habitar o mundo, considerando-se um artista menor. Hoje é reconhecido o contributo enorme deste artista para várias áreas da Arte e da Filosofia, para além disso, como é de esperar, o seu trágico suicídio, marcou-o como herói de uma geração, sendo para sempre recordado e louvado, tanto que, se existe algo depois deste mundo e se Diniz puder espreitar o mundo dos vivos, ele próprio acharia exacerbado e hipócrita.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Vejo sempre pessoas neste lugar vazio à minha frente. E por muito que me esforce num cogitar pleno, acabo sempre por atirá-las para bem no fundo na minha cabeça, onde quase sempre me convenço que foi fruto do cansaço, ou da luz pouco presente, ou das sombras da rua, ou simplesmente dos olhos que já não são o que eram, nem nunca chegarão a ser o que primeiramente deles era esperado. Hoje, por outro lado, não consigo evitar um forte pensar em torno destas supostas entidades inexistentes; não consigo evitar ver no rosto pálido que só existe quando o não olho directamente, todos os corpos sedentos de mim, todos os que a meio de tudo remeto ao nada. Perdão. Não evito esta minha tendência narcisista de dizer com tantas palavras aquilo que em poucas se resumiria. É-me inevitável também esta espécie de distanciamento em que me dirijo a si leitor, prezado, esquecendo completamente aquilo que vos estava mostrando. O que quero, contudo e com tudo, dizer é que sou um romanticída qualificado, incapaz de decisões. Triste sina esta que cada vez mais procuro, sem resistência e com estupidez e comodismo, instalar em mim. Não quero concluir.
A velocidade alucinante do tempo e da sua sequência assola-me agora que me prostro sobre a balaustrada da varanda enquanto fumo calmamente um cigarro. E é inevitável, olhando o dito cigarro, é inevitável, como dizia, pensar na efemeridade deste meu pequeno prazer. E ao faze-lo é impossível não encontrar uma analogia entre ele, cigarro que seguro, e entre mim próprio. Serei eu não mais que o cigarro de um outro alguém, de proporções inimagináveis, como que um deus, mas inferior a isso em condição. Entenda-se, o homem desde os primórdios da sua racionalidade que se vê como a obra mais perfeita, da natureza ou de Deus ou da evolução – tanto faz -, dar-se-á o caso de sermos um ser tão seriamente inferior que nem sejamos considerados na equação de um putativo deus existente? Se tais seres de proporções inimagináveis existissem deveras, querermos que Deus se preocupasse connosco seria tão irrisório como pedirmos ao deus que grande parte das pessoas confia existir que tome em sua divina graça o cigarro que fumamos de momento. Será a raça humana um maço de tabaco, segundo a analogia? Se Deus existisse teríamos que o matar.

François de la Pêne

Born in the 4th September, 1943 in Poitiers
At the age of twelve went to Paris, to live with his grandfather due to family instability there in poitiers. Once in Paris François started developing a huge interest in culture, art and politics. His education, always pointing a major knowledge, and the words of françois’ wise grandfather (who was a painter influenced by Renoir), guided François throughout his adolescence. When François was seventeen – 1960 – he published his first book on philosophy, Living in a Dead World – in French Vivre dans un monde mort – in which François first said the world was completely overturned. “Mankind will end up destroying everything, even the universe itself, by not caring their brains. Knowledge is power.” While writing this book François was clearly under the influence of the memories of his past.
Two years later François’ grandfather dies due to heart disease, leaving François alone in Paris, at the age of nineteen. As François finds himself lost and abandoned in a disconcerted world he realizes there is nothing we can do to stop humanity’s slow and painful death, so he lives five years of excesses, in the wild sixties. In this period François starts smoking, habit that is going to kill him, years later. During this episode of unconsciousness François’ best friend, Pierre Sangnier dies of overdose. This tragic death alarmed François, waking him up of his “coma”. François started writing, once again, now with more maturity and experience. In 1968 François starts working in a local paper – La voix de Paris or in English Paris’ voice – as a columnist. Past few months his talent starts being recognized so he starts working as dramaturge, next to one of his dearest friends, the theatre producer, Jean Jacques Hesme. Their most know play “Le stromboscope de l’ambulance” – The ambulance’s siren – has been in scene for two years of tremendous success. 1972, 23rd January, François marries Jean Jacques sister, la belle Clotilde Poulain. They had a child born in Paris in the 7th May 1974, Pierre de la Pêne. François starts playing piano in some night houses to bring more income to properly raise his child. Winter, 1980, François has developed terminal lung cancer, and leaves behind a six year old child. François dies at the age of 37 of pneumonia, due to his weak condition. Hours before his death François recalls the worlds of Kant – at the time of his death – “Das ist Gut!”, “This is good!”, “Ça c’est bon!”, in the original language (german), then in English and finally in French, his mother tongue.