segunda-feira, 10 de novembro de 2008
A velocidade alucinante do tempo e da sua sequência assola-me agora que me prostro sobre a balaustrada da varanda enquanto fumo calmamente um cigarro. E é inevitável, olhando o dito cigarro, é inevitável, como dizia, pensar na efemeridade deste meu pequeno prazer. E ao faze-lo é impossível não encontrar uma analogia entre ele, cigarro que seguro, e entre mim próprio. Serei eu não mais que o cigarro de um outro alguém, de proporções inimagináveis, como que um deus, mas inferior a isso em condição. Entenda-se, o homem desde os primórdios da sua racionalidade que se vê como a obra mais perfeita, da natureza ou de Deus ou da evolução – tanto faz -, dar-se-á o caso de sermos um ser tão seriamente inferior que nem sejamos considerados na equação de um putativo deus existente? Se tais seres de proporções inimagináveis existissem deveras, querermos que Deus se preocupasse connosco seria tão irrisório como pedirmos ao deus que grande parte das pessoas confia existir que tome em sua divina graça o cigarro que fumamos de momento. Será a raça humana um maço de tabaco, segundo a analogia? Se Deus existisse teríamos que o matar.
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